terça-feira, 10 de novembro de 2009

Em cima do muro

Acabou no dia 6 de novembro em Barcelona mais um encontro preparatório para a 15º Conferência da Partes sobre Mudanças Climáticas (COP 15). O clima geral era de desapontamento entre aqueles que estão na expectativa que o encontro em Copenhague seja decisório na assinatura de um tratado entre países para mitigação das mudanças climáticas.

Sem o estabelecimento de uma meta de redução de emissões de gases de efeito estufa por parte dos Estados Unidos, que espera para se posicionar votação da lei ambiental em trâmite no Senado do país, dificilmente sairá da COP um tratado internacional com peso de lei (Saiba mais).
Os ambientalistas, embora convencidos de que essa indefinição é resultado de uma falta de vontade política de países desenvolvidos e em desenvolvimento para agir, ainda acreditam que mesmo sem um tratado é possível conseguir um bom acordo global de clima.

No Brasil, a posição que o governo levará à reunião ainda é incerta e a falta de atitude do governo começa a pegar mal. Há algumas semanas, o presidente Lula apontou a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, como a possível representante do país na COP. A mesma ministra que está à frente do PAC com seus diversos projetos “insustentáveis” ambientalmente e que defende que o Brasil não assuma metas ousadas na reunião.

Depois, o presidente adiou para o dia 14/11, o anúncio das metas de redução das emissões que o Brasil irá apresentar. Dilma, segundo matéria da Folha de S. Paulo , adiantou após o Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas que a meta de redução deve ficar em torno de 40%, sendo 20% estão garantidas nos 80% da redução do desmatamento até 2020. Essa posição de fato não é ousada, uma vez que, como apontou a jornalista Miriam Leitão, promete o prometido.

Outro ponto em falso são as votações e a posição do governo diante de diversos projetos de lei da bancada ruralista que visam alterar o Código Florestal brasileiro para flexibilizar as leis relativas à fiscalização do desmatamento.

A impressão que fica é que o governo está definindo metas para “inglês” ver e desperdiçando a chance de o Brasil ser um exemplo para o mundo seguir na mitigação do aquecimento global.
(foto: altoladeira.wordpress.com)

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

O "gato" das ciclovias em Brasília


Um grande desafio que os centros urbanos enfrentam hoje em dia é como solucionar o problema dos congestionamentos. À medida que as cidades crescem, sobe também o número de veículos circulando. Brasília não escapa dessa realidade. Planejada para ter 600 mil habitantes no ano 2000, em 2007, já abrigava aproximadamente 2,5 milhões moradores, de acordo com o censo do IBGE deste ano. Esses moradores colocam em circulação no Distrito Federal, segundo dados do Detran, 1.127.260 veículos - entre carros, caminhões, ônibus e outros - causando congestionamentos e contribuindo para a poluição do ar.


Para fugir desse problema, diversas cidades no mundo, tal como Copenhagen na Dinamarca e Houten e Amsterdã na Holanda, investiram na bicicleta um meio de transporte alternativo. Baseando-se no conceito de mobilidade humana sustentável, criaram uma boa infraestrutura que estimulasse os cidadãos a pedalar em vez de dirigir. Boas ciclovias, postos de aluguel de bicicleta distribuídos pelas cidades, estacionamentos seguros, aulas de educação no trânsito de bicicletas nas escolas são alguns exemplos de incentivos. O resultado foi o aumento da qualidade de vida dos habitantes: deixaram de se estressar no trânsito e gastar dinheiro com gasolina e passaram a praticar exercícios físicos e a respirar um ar mais limpo.


A geografia plana de Brasília favorece o uso da bicicleta como meio de transporte, no entanto, faltam investimentos públicos. Sem ciclovias contínuas, se torna perigoso pedalar nas vias da cidade. De janeiro a agosto de 2009, 24 ciclistas morreram em acidentes de trânsito no DF, segundo informações do Detran.
Para resolver a situação, o governo local, por meio da Secretaria de Transportes, inaugurou no ano passado uma iniciativa interessante: o Pedala DF, projeto com o objetivo audacioso de construir a maior malha cicloviária da América Latina, com 600 Km de extensão no Plano Piloto e cidades satélites.

No momento do lançamento do projeto, foi anunciado que até 2010, 200 Km estariam prontos apenas no Plano Piloto. Faltam menos de dois meses para 2010 e as ciclovias não estão resolvendo o problema.

Na maior parte dos locais onde as obras foram feitas, existem “ciclofaixas” no local de ciclovias. Isso ocorre no caminho para São Sebastião, logo após a ponte JK, onde o acostamento foi transformado em ciclofaixa. Pintaram o chão, colocaram uma placa e pronto. Um erro duplo: os carros perderam o acostamento e os ciclistas continuam sem segurança. No Lago Sul é ainda pior, as ciclofaixas ficam à direita da pista, desaparecem nos cruzamentos e os ônibus são obrigados a invadir a faixa para pegar os passageiros.

Infelizmente, o que poderia ser uma iniciativa inovadora para a cidade, se tornou um “tapa buraco”, um “gato”, um “jeitinho”. Os ciclistas e organizações não governamentais como a Rodas da Paz estão protestando e reivindicando um projeto que realmente atenda as suas necessidades. O que não dá é para se conformar.
Confira vídeos sobre exemplos de investimento público que deram certo: