Um grande desafio que os centros urbanos enfrentam hoje em dia é como solucionar o problema dos congestionamentos. À medida que as cidades crescem, sobe também o número de veículos circulando. Brasília não escapa dessa realidade. Planejada para ter 600 mil habitantes no ano 2000, em 2007, já abrigava aproximadamente 2,5 milhões moradores, de acordo com o censo do IBGE deste ano. Esses moradores colocam em circulação no Distrito Federal, segundo dados do Detran, 1.127.260 veículos - entre carros, caminhões, ônibus e outros - causando congestionamentos e contribuindo para a poluição do ar.
Para fugir desse problema, diversas cidades no mundo, tal como Copenhagen na Dinamarca e Houten e Amsterdã na Holanda, investiram na bicicleta um meio de transporte alternativo. Baseando-se no conceito de mobilidade humana sustentável, criaram uma boa infraestrutura que estimulasse os cidadãos a pedalar em vez de dirigir. Boas ciclovias, postos de aluguel de bicicleta distribuídos pelas cidades, estacionamentos seguros, aulas de educação no trânsito de bicicletas nas escolas são alguns exemplos de incentivos. O resultado foi o aumento da qualidade de vida dos habitantes: deixaram de se estressar no trânsito e gastar dinheiro com gasolina e passaram a praticar exercícios físicos e a respirar um ar mais limpo.
A geografia plana de Brasília favorece o uso da bicicleta como meio de transporte, no entanto, faltam investimentos públicos. Sem ciclovias contínuas, se torna perigoso pedalar nas vias da cidade. De janeiro a agosto de 2009, 24 ciclistas morreram em acidentes de trânsito no DF, segundo informações do Detran.
Para resolver a situação, o governo local, por meio da Secretaria de Transportes, inaugurou no ano passado uma iniciativa interessante: o Pedala DF, projeto com o objetivo audacioso de construir a maior malha cicloviária da América Latina, com 600 Km de extensão no Plano Piloto e cidades satélites.
No momento do lançamento do projeto, foi anunciado que até 2010, 200 Km estariam prontos apenas no Plano Piloto. Faltam menos de dois meses para 2010 e as ciclovias não estão resolvendo o problema.
Na maior parte dos locais onde as obras foram feitas, existem “ciclofaixas” no local de ciclovias. Isso ocorre no caminho para São Sebastião, logo após a ponte JK, onde o acostamento foi transformado em ciclofaixa. Pintaram o chão, colocaram uma placa e pronto. Um erro duplo: os carros perderam o acostamento e os ciclistas continuam sem segurança. No Lago Sul é ainda pior, as ciclofaixas ficam à direita da pista, desaparecem nos cruzamentos e os ônibus são obrigados a invadir a faixa para pegar os passageiros.
Infelizmente, o que poderia ser uma iniciativa inovadora para a cidade, se tornou um “tapa buraco”, um “gato”, um “jeitinho”. Os ciclistas e organizações não governamentais como a Rodas da Paz estão protestando e reivindicando um projeto que realmente atenda as suas necessidades. O que não dá é para se conformar.
Confira vídeos sobre exemplos de investimento público que deram certo:
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